Posso dizer tudo?
-Pode.
-Você compreenderia?
-Compreenderia. Eu sei de muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo que não sei e -por ser um campo virgem- está livre de preconceitos. Tudo que não sei é minha palavra maior e melhor: é a minha largueza.
é com ela que eu compreenderia tudo.
Tudo o que não sei é que constitui a minha verdade.
(LISPECTOR,Clarice. Aprendendo a Viver)
segunda-feira, 29 de junho de 2009
como ser estrela
Meticulosamente encostou o rosto na janela, que estava fria, suada com pequenas gotas de orvalho.
Uma pequena luz incidia, atravessando toda a sala com um pequeno rastro. O que a interessava
era o que não conseguia enxergar entre a luz e as gotas de orvalho,porque na verdade, ela queria
entender a sensação de ser a noite. E mais que noite, de conseguir tocá-la.
Seu rosto permaneceu na janela, enquanto o vento começava a cortar lentamente seus lábios.
A pele mudou de cor, e um suave aroma permeava seus pensamentos, que vagavam entre tudo
aquilo que não podia tocar.
V a g a r o s a m e n t e,
secando do rosto o orvalho,sentiu no ar o cheiro do sol invadindo a noite na sala.
As gotas da janela começaram a escorrer pelo vidro, desenhando a luz que cortava a sala.
Ela não havia dormido.
Encostou na janela e pensou apenas: como ser estrela.
Uma pequena luz incidia, atravessando toda a sala com um pequeno rastro. O que a interessava
era o que não conseguia enxergar entre a luz e as gotas de orvalho,porque na verdade, ela queria
entender a sensação de ser a noite. E mais que noite, de conseguir tocá-la.
Seu rosto permaneceu na janela, enquanto o vento começava a cortar lentamente seus lábios.
A pele mudou de cor, e um suave aroma permeava seus pensamentos, que vagavam entre tudo
aquilo que não podia tocar.
V a g a r o s a m e n t e,
secando do rosto o orvalho,sentiu no ar o cheiro do sol invadindo a noite na sala.
As gotas da janela começaram a escorrer pelo vidro, desenhando a luz que cortava a sala.
Ela não havia dormido.
Encostou na janela e pensou apenas: como ser estrela.
terça-feira, 12 de maio de 2009
pequenas epifanias
"(...)Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome."
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome."
domingo, 10 de maio de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
coleções
Desde pequena gosto de coleções.Lembro-me de ver meu irmão colecionando caixinhas de cigarro,e minha irmã -mais velha e exemplo-, colecionando perfumes. Eu não colecionava nada,apenas lembranças. Gostava de passar horas revendo cadernos antigos,observando os desenhos borrados,desgastados com o tempo, e pensando em como aumentar minha coleção. Foi então que decidi colecionar caixinhas,como minha mãe. Mas minhas caixinhas eram diferentes. Carregavam histórias.Cada qual era presente de alguém,de alguma ocasião,e eram todas lindas. Anjos,fadas,ursinhos. E assim fiz durante alguns anos, até crescer. Digo,até atingir aquela idade na qual a opnião dos outros é mais relevante que nossas próprias vontades.
Ora,foi exatamente nesta fase que minha primeira -e única,até então- começou a me fazer falta.Toda vez que eu sentava no chão do meu quarto para rever tudo aquilo,sentia falta de algo que me fazia sentir como se houvesse um enorme buraco no estômago,e imediatamente sentia uma fome terrível,mas não havia pão que conseguisse fazer com que me sentisse melhor. Foi depois deste dia que resolvi remontar minha coleção. Comecei a colecionar letras,versos,poesias -cortantes,rasgadas. Versos de ausência,abandono. E desta forma,ficaram todas jogadas,assim como eu,esperando que alguém,ou que algum vento soprasse para organizá-las.
Foi exatamente isso que aconteceu. Um vento muito forte soprou,juntando cada palavra em uma caixa. No entanto, quanto quis me remontar,não eram por aqueles versos que procurava. Não queria mais estas pontas agudas,que espetavam arrancando-me lágrimas.Queria uma luz forte para deitar em um sorriso. O meu?
Há quanto tempo não me olhava no espelho e enxergava um sorriso.
A partir dessa necessidade de sorrir que comecei outra coleção. Passei a guardar em mim sorrisos,olhares,mas com a condição que fossem brilhantes tal qual o sol na minha janela.
E assim aconteceu. Minha caixa nunca mais ensvaziou-se e meu estômago permaneceu constantemente servindo de vento para pequenas borboletas.
Ora,foi exatamente nesta fase que minha primeira -e única,até então- começou a me fazer falta.Toda vez que eu sentava no chão do meu quarto para rever tudo aquilo,sentia falta de algo que me fazia sentir como se houvesse um enorme buraco no estômago,e imediatamente sentia uma fome terrível,mas não havia pão que conseguisse fazer com que me sentisse melhor. Foi depois deste dia que resolvi remontar minha coleção. Comecei a colecionar letras,versos,poesias -cortantes,rasgadas. Versos de ausência,abandono. E desta forma,ficaram todas jogadas,assim como eu,esperando que alguém,ou que algum vento soprasse para organizá-las.
Foi exatamente isso que aconteceu. Um vento muito forte soprou,juntando cada palavra em uma caixa. No entanto, quanto quis me remontar,não eram por aqueles versos que procurava. Não queria mais estas pontas agudas,que espetavam arrancando-me lágrimas.Queria uma luz forte para deitar em um sorriso. O meu?
Há quanto tempo não me olhava no espelho e enxergava um sorriso.
A partir dessa necessidade de sorrir que comecei outra coleção. Passei a guardar em mim sorrisos,olhares,mas com a condição que fossem brilhantes tal qual o sol na minha janela.
E assim aconteceu. Minha caixa nunca mais ensvaziou-se e meu estômago permaneceu constantemente servindo de vento para pequenas borboletas.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
"Nada a ver"
Quando as várias possibilidades nos contornam os caminhos mais simples à seguir.
D.e.s.a.c.e.l.e.r.a.r
que ironia,não?
passou.
D.e.s.a.c.e.l.e.r.a.r
que ironia,não?
passou.
Assinar:
Postagens (Atom)
