sexta-feira, 8 de maio de 2009

ALEGRIIIIIIIIIIA!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

coleções

Desde pequena gosto de coleções.Lembro-me de ver meu irmão colecionando caixinhas de cigarro,e minha irmã -mais velha e exemplo-, colecionando perfumes. Eu não colecionava nada,apenas lembranças. Gostava de passar horas revendo cadernos antigos,observando os desenhos borrados,desgastados com o tempo, e pensando em como aumentar minha coleção. Foi então que decidi colecionar caixinhas,como minha mãe. Mas minhas caixinhas eram diferentes. Carregavam histórias.Cada qual era presente de alguém,de alguma ocasião,e eram todas lindas. Anjos,fadas,ursinhos. E assim fiz durante alguns anos, até crescer. Digo,até atingir aquela idade na qual a opnião dos outros é mais relevante que nossas próprias vontades.
Ora,foi exatamente nesta fase que minha primeira -e única,até então- começou a me fazer falta.Toda vez que eu sentava no chão do meu quarto para rever tudo aquilo,sentia falta de algo que me fazia sentir como se houvesse um enorme buraco no estômago,e imediatamente sentia uma fome terrível,mas não havia pão que conseguisse fazer com que me sentisse melhor. Foi depois deste dia que resolvi remontar minha coleção. Comecei a colecionar letras,versos,poesias -cortantes,rasgadas. Versos de ausência,abandono. E desta forma,ficaram todas jogadas,assim como eu,esperando que alguém,ou que algum vento soprasse para organizá-las.
Foi exatamente isso que aconteceu. Um vento muito forte soprou,juntando cada palavra em uma caixa. No entanto, quanto quis me remontar,não eram por aqueles versos que procurava. Não queria mais estas pontas agudas,que espetavam arrancando-me lágrimas.Queria uma luz forte para deitar em um sorriso. O meu?
Há quanto tempo não me olhava no espelho e enxergava um sorriso.
A partir dessa necessidade de sorrir que comecei outra coleção. Passei a guardar em mim sorrisos,olhares,mas com a condição que fossem brilhantes tal qual o sol na minha janela.
E assim aconteceu. Minha caixa nunca mais ensvaziou-se e meu estômago permaneceu constantemente servindo de vento para pequenas borboletas.