quarta-feira, 1 de julho de 2009

por onde ir

Penso naqueles momentos em que precisamos conversar com alguém, nem que esse alguém seja nós mesmos. Uso o “precisar”, como necessidade mesmo, porque existe aqui dentro um turbilhão que eu preciso canalizar. Sinto que se eu escrevo, consigo fazê-lo fluir. Na verdade eu sei que não é assim que o conseguirei fazer procurar novas vias de circular. Preciso entender tudo que está acontecendo. E novamente explico; uso o entender não de forma a compreender racionalmente o por que das coisas, mas sim de faze-las terem um sentido para o mundo, para quem sou eu no mundo. Entende?

Gostaria de conseguir explicar para mim o que eu estou dizendo, e sinto que consigo. Será que todos entendem a lógica do que eu falo?

...

Talvez seja por esse medo de não ser entendida, que muitas vezes prefiro não falar. Assim não há o risco de não caminharem comigo, simplesmente porque não tracei o caminho para outras pessoas. Mas minto dizendo isso, eu confesso. Eu quero que meus caminhos sejam divididos com outros pés. Com muitos, porque sinto que eu sei por onde estou indo. Posso estar enganada, é claro. Mas prefiro acreditar que o caminho é por onde pintamos nossas verdades.

Não estou dizendo assim, que possuo as verdades, pelo contrário. No entanto, nunca deixo de busca-las –seja lá elas quais forem!-. E é por isso que preciso caminhar com outros pés, pois só assim consigo entender os diferentes desenhos que vão sendo trilhados, e aos poucos compreender os diversos ciclos e verdades.

Porém, dentro disto tudo tenho um problema. Não consigo ser clara para o mundo. Tenho essa dificuldade imensa de me dividir por inteiro, por mais inteira que eu sinta a vida. São poucos aqueles que conseguem entender a minha rota, e a esses poucos, divido a lógica inconstante e irregular que descreve quem eu sou. Aos outros, continuo sempre estando, e não sendo. E eu não sei onde eu quero chegar com isso tudo.

Talvez a lugar nenhum. Possivelmente não exista onde chegar.

Acredito que essa é a hora de parar. Preciso continuar o caminho...



segunda-feira, 29 de junho de 2009

Posso dizer tudo?
-Pode.
-Você compreenderia?
-Compreenderia. Eu sei de muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo que não sei e -por ser um campo virgem- está livre de preconceitos. Tudo que não sei é minha palavra maior e melhor: é a minha largueza.
é com ela que eu compreenderia tudo.
Tudo o que não sei é que constitui a minha verdade.

(LISPECTOR,Clarice. Aprendendo a Viver)

como ser estrela

Meticulosamente encostou o rosto na janela, que estava fria, suada com pequenas gotas de orvalho.
Uma pequena luz incidia, atravessando toda a sala com um pequeno rastro. O que a interessava
era o que não conseguia enxergar entre a luz e as gotas de orvalho,porque na verdade, ela queria
entender a sensação de ser a noite. E mais que noite, de conseguir tocá-la.
Seu rosto permaneceu na janela, enquanto o vento começava a cortar lentamente seus lábios.
A pele mudou de cor, e um suave aroma permeava seus pensamentos, que vagavam entre tudo
aquilo que não podia tocar.
V a g a r o s a m e n t e,
secando do rosto o orvalho,sentiu no ar o cheiro do sol invadindo a noite na sala.
As gotas da janela começaram a escorrer pelo vidro, desenhando a luz que cortava a sala.
Ela não havia dormido.
Encostou na janela e pensou apenas: como ser estrela.