Penso naqueles momentos em que precisamos conversar com alguém, nem que esse alguém seja nós mesmos. Uso o “precisar”, como necessidade mesmo, porque existe aqui dentro um turbilhão que eu preciso canalizar. Sinto que se eu escrevo, consigo fazê-lo fluir. Na verdade eu sei que não é assim que o conseguirei fazer procurar novas vias de circular. Preciso entender tudo que está acontecendo. E novamente explico; uso o entender não de forma a compreender racionalmente o por que das coisas, mas sim de faze-las terem um sentido para o mundo, para quem sou eu no mundo. Entende?
Gostaria de conseguir explicar para mim o que eu estou dizendo, e sinto que consigo. Será que todos entendem a lógica do que eu falo?
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Talvez seja por esse medo de não ser entendida, que muitas vezes prefiro não falar. Assim não há o risco de não caminharem comigo, simplesmente porque não tracei o caminho para outras pessoas. Mas minto dizendo isso, eu confesso. Eu quero que meus caminhos sejam divididos com outros pés. Com muitos, porque sinto que eu sei por onde estou indo. Posso estar enganada, é claro. Mas prefiro acreditar que o caminho é por onde pintamos nossas verdades.
Não estou dizendo assim, que possuo as verdades, pelo contrário. No entanto, nunca deixo de busca-las –seja lá elas quais forem!-. E é por isso que preciso caminhar com outros pés, pois só assim consigo entender os diferentes desenhos que vão sendo trilhados, e aos poucos compreender os diversos ciclos e verdades.
Porém, dentro disto tudo tenho um problema. Não consigo ser clara para o mundo. Tenho essa dificuldade imensa de me dividir por inteiro, por mais inteira que eu sinta a vida. São poucos aqueles que conseguem entender a minha rota, e a esses poucos, divido a lógica inconstante e irregular que descreve quem eu sou. Aos outros, continuo sempre estando, e não sendo. E eu não sei onde eu quero chegar com isso tudo.
Talvez a lugar nenhum. Possivelmente não exista onde chegar.
Acredito que essa é a hora de parar. Preciso continuar o caminho...
